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              <text>Com referência ao ano de 1853, e por o julgarmos interessante, extraímos dos anais da câmara municipal de Vila Real o seguinte:&#13;
«A epidriada que começou na Inglaterra, e aí lhe deu Tucher o nome de oídio, depois de invadir progressivamente a França e Itália, veio à ilha da Madeira, daí à Estremadura, e por último ao país vinícola do Douro.&#13;
Já nas proximidades do Peso da Régua apareceu em 1852, mas só claramente se notou em 1853, nos princípios de Julho, em todos os concelhos vinícolas. &#13;
Vista a olhos desarmados acomete primeiro alguns bagos, depois os cachos, em que emprega 14 a 21 dias; sob a mucedínea descobrem-se nódoas escuras, ferrugentas, cinzentas nos bagos, pedúnculos dos espigos, nos pés das uvas, nos pecíolos dos mesmos, nas varas e nas folhas.  &#13;
As partes cobertas de oídio exalam um cheiro nauseabundo. O estado mórbido de dia para dia é mais característico, as folhas abatem-se e amarelecem, os cachos contraem-se, a seiva deixa de se espalhar pelos órgãos vegetativos, e o fruto se torna vítima da putrefação.&#13;
Uns dizem que a moléstia é produzida pelos ácaros ou bichos que se depositam na superfície da planta, outros pelos esporos – corpos pequeníssimos – que se introduzem pelos poros do vegetal, e envenenam a seiva da planta; outros que a moléstia provém dos maus sucos que a vide colhe da terra – mostra isto que se ignora a causa da moléstia, mas parece que é um quid atmosférico para as plantas, como a cólera para os animais.&#13;
São invadidos, além das vinhas outros vegetais, como feijões, batatas, árvores frutíferas, etc.&#13;
Os concelhos mais atacados são os das margens do Douro, e a moléstia começou naquele ano de 1853 pelo tempo da frutificação e maturação.&#13;
Insuflações de enxofre, de água de cal, de ácido sulfúrico, de alcatrão foram remédios muito apregoados, que na aproveitaram (exceto o enxofre).&#13;
A humidade desenvolve muito a epidriada – está progredido nos três meses de Julho, Agosto e Setembro. As uvas mais atacadas são das de castas, e as tintas, na seguinte ordem: Alicante, Ferrais, Moscatel, Malvasia, Gouveio, Tinto-Cão, Tinta-Amarela. &#13;
Avaliam-se em cem mil pipas as perdas sofridas. Criaram-se em todos os concelhos comissões para examinar a moléstia, que davam notícias regulares para o governo civil, e este para a governação do Estado. À vista do exposto vê-se que se não tem descoberto nem a causa, nem o remédio para a epidriada, apesar do trabalho dos sábios, e prémios prometidos por muitos governos.&#13;
Acerca de tal assunto há um circunstanciado relatório no governo civil de Vila Real.&#13;
&#13;
Vila Real 8 de Março de 1863&#13;
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                <text>Notícia da invasão da moléstia das vinhas chamada – oydium tuckery – nos terrenos do Douro</text>
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              <text>À meditação dos beneméritos que se têm oposto à restrição do plantio, dos que ainda esperam melhores tempos pela conquista de novos mercados, como se a concorrência não nos estivesse já assoberbando nos outros; dos que devaneiam viticultura no remanso do gabinete — totalmente desinteressados no assunto; — dos poderes públicos, que se têm regalado de caçoar com a tropa (para este caso a — tropa — são os viticultores); e há destes, que pela inacção parece que descendem em linha recta dos sete dormentes, submetemos os trechos seguintes extractados da conferência que Mr. Viala, o sábio professor de viticultura, fez na sede da Société Régionale de Viticulture de Lyon. Diz o ilustre homem de ciência e grande viticultor, de que, a autoridade é indiscutível e indiscutida: «foi então (durante a crise filoxérica) que se criaram estas vinhas da América do Sul, no Chile onde a produção é de cerca de 5.000.000 de hectolitros, cifra superior ao consumo local. (…)&#13;
(…) «Há ainda um país que alarga incessantemente as suas vinhas: é a Rússia,»&#13;
«As plantações no Cáucaso, na Crimeia, na Bessarábia e no Turquestão, de dia para dia adquirem maior importância.»&#13;
«A Austrália que em 1897 produzia 100.000 hectolitros, quatro anos depois tinha elevado a produção a 400.000; o Cabo, outra colónia inglesa, tem trazido ao mercado um contingente de 300.000 hectolitros extensível no futuro.»&#13;
«A Turquia e a Grécia, que só produziam uvas secas para consumo em consequência da crise filoxérica, alargaram as suas plantações. As uvas secas não podem entrar em França para serem vinificadas, mas os turcos e os gregos transformaram as suas vinhas para a produção directa do vinho.»&#13;
«Devemos reconhecer que os países de que acabo de indicar o nascimento vinícola, são regiões nas quais a cultura da vinha pode alargar-se por uma área imensa; é incontestável que pouco a pouco conseguirão trazer ao mercado do mundo quantidades enormes de vinho e fazer uma concorrência temível aos produtos similares daqueles que eles hão-de produzir, aos vinhos de consumo corrente.»&#13;
«O excesso de produção como em 1900-1901, reproduzir-se-á e nós seremos novamente encurralados na mesma situação inelutável, se não procurarmos orientar-nos noutro sentido.» O futuro parece-me sombrio, e creio que se não tomamos a deliberação de nos encaminharmos para outro fim, veremos pouco a pouco em muitas regiões vinícolas da França, produtoras de vinhos comuns, a cultura do vinho perder a sua importância e talvez desaparecer.»&#13;
Com a sua extraordinária autoridade e com a sinceridade de verdadeiro patriota que fala ao seu país, Mr. Viala mostra aos seus conterrâneos, como já o haviam feito Prerget. Tallavignes, Ch. Gide e outros, o perigo que vê iminente, indicando-lhes, porém, uma solução de que o maior número não pode aproveitar-se. O ilustre professor diz-lhes: &#13;
«É digna de reparo a extensão, aliás justificada, que adquire de ano para ano o consumo dos grandes vinhos do Porto e mesmo do Porto ordinário, na Inglaterra, na Bélgica, nos países do norte da Europa e mesmo em Paris. É o grande vinho da moda, dos “five ó clock”, como vo-lo dizia há pouco, e actualmente todas as grandes mesas timbram em servir Porto.» Depois indica as plantas que produzem o Porto autêntico, como já indicara o solo e o clima que lhes convém — que o ilustre professor estudou durante a sua excursão de Setembro — e aconselha os viticultores franceses que, onde lhes seja possível, procurar imitar esse vinho precioso, que ele considera inimitável.(…)&#13;
A. de V. (Do Popular)&#13;
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              <text>Entre o povo tem-se espalhado com boa, ou má-fé, que a aplicação da calda bordelesa é nociva à saúde, e já se tem atribuído ao sulfato de cobre a morte de alguns animais, sem se procurar indagar as causas dessa morte.&#13;
Para destruir esses maus preconceitos, que constituem uma outra perseguição às vinhas, por tendem a evitar o tratamento do míldio que tantos prejuízos tem causado no corrente ano, o governo mandou fazer bem público o erro em que o povo se acha, e tornar bem manifesto que o sulfato de cobre, aplicado na calda bordelesa não é prejudicial à saúde pública, e nesse sentido mandou a autoridade superior do distrito a circular que em seguida publicamos, e para a qual chamamos a atenção dos nossos leitores.&#13;
Exmo. Sr. — A rotina e a má-fé têm espalhado que as aplicações do sulfato de cobre, e outras substâncias cúpricas, ao tratamento no míldio das vinhas, são prejudiciais à saúde dos que mais tarde fazem uso do vinho proveniente das videiras assim curadas.&#13;
(…)&#13;
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              <text>Desde o princípio da luta contra o míldio, tem a viticultura manifestado a aspiração, bem justa, de combater, com uma só fórmula e ao mesmo tempo esta doença, e o oídio. Ocorreu primeiro a ideia das fórmulas pulverulentas, vieram os enxofres cúpricos, ou os compostos de enxofre e sulfato de cobre em pó, mas estes pós eram caros e o sulfato de cobre não tinha a aderência precisa. &#13;
Pensou-se depois em juntar o enxofre às caldas cúpricas, mas apareceu a dificuldade de fazer esta juncão: o enxofre, lançado na calda feita, não se molha, sobrenada, e em vista de tal dificuldade a ideia quase foi abandonada. Agora, porém, parece felizmente que a dificuldade está vencida: o Sr. Guilon, director da estação vitícola de Cognac, diz que, procurando misturar o enxofre com as caldas cúpricas, com o fim de evitar as grandes despesas de mão de dobra, que se produzem atacando separadamente o oídio e o míldio, reconheceu que lançando enxofre (sublimado ou moído) sobre uma calda feita, ele fica à superfície, não se molha; mas que se pode fazê-lo molhar nas diferentes caldas, operando da forma seguinte: &#13;
Calda bordelesa — Esta calda para levar enxofre prepara-se como de costume, mas a cal deve ser antecipadamente amassada intimamente com o enxofre e, só depois disto, lançada na solução do sulfato de cobre; 2 quilos de cal podem bem misturar-se com 10 quilos ou mais de enxofre (bastam 3 quilos). A calda bordelesa com enxofre não sofre modificação na sua aderência; mas é um pouco menos aderente, quando se lhe junta 0.35 p. c. de colofónia ou 1 p. c. de melaço. Uma adição de 3 p. c. de gelatina pouca influência tem. Calda borgonhesa — Na preparação desta calda procede-se analogamente com a bordelesa; mistura-se primeiro o enxofre com o carbonato de soda, mas o enxofre não é inteiramente molhado; para o ser junta-se à calda Ogr,25 de colofónia. A presença do enxofre nem altera a aderência desta calda, nem a impede de se alterar com o tempo. &#13;
Verdete — Este sal bem seco e moído incorpora-se perfeitamente com o enxofre; juntam-se em pequenas porções agitando constantemente a água necessária. O enxofre não modifica aderência do verdete. &#13;
Caldas diversas — A calda de carbonato de potassa não é modificada pelo enxofre, mas este não é molhado completamente. O mesmo sucede com a água celeste. O enxofre pode misturar-se com o sabão tendo os necessários e referidos cuidados. Resulta, para o Sr. Guillon dos seus estudos, que o enxofre simplesmente se mistura e não combina com o cobre, dada a condição de fazer as aplicações imediatamente à preparação das caldas. As experiências que ele fez na Charentes, e que podem ser repetidas em qualquer vinhedo, demonstram a eficácia das caldas com enxofre para combater ao mesmo tempo o oídio e míldio, quando bem preparadas e bem aplicadas. Como se vê uma das conclusões a que chega o Sr. Guillon afasta o receio que tinha havido de se combinar o enxofre com o cobre e dar o sulfureto insolúvel; o enxofre não se combina com o cobre, não lhe modifica a acção sobre o míldio, quando a aplicação das caldas se faz imediatamente à preparação. É uma boa nova que nos apressamos a dar aos leitores desta e especialmente a alguns Srs. assinantes que sobre este assunto nos têm consultado. Mas há melhor do que isto: o Sr. Hugonnenc diz que nenhum perigo resulta, antes vantagem, da combinação lenta do enxofre com o cobre; neste caso se formará em polisulfureto de cobre, que, como todos os polisulfuretos é pouco estável, desdobra-se facilmente em enxofre e em sulfureto de cobre muito oxidável. Aplicada a calda com enxofre, cada gota torna-se uma fonte de produtos anti criptogâmicos: 1.º de enxofre nascente, apresentando portanto o máximo de actividade e de oxidabilidade, enxofre precipitado num estado de divisão levada ao infinito; 2.° de sulfureto de cobre, absolutamente insolúvel na água, e talvez sem acção anti criptogâmica, mas que precisamente por causa da sua instabilidade, da facilidade com que se oxida em presença do oxigénio do ar, e sobretudo do que provém da actividade chlophylliana, vai transformar-se em sulfato de cobre eminentemente activo. Daqui produção de enxofre contra o oídio, produção lenta e constante de sulfato de cobre, tendo por fonte um corpo absolutamente insolúvel, mas duma aderência surpreendente... de sulfato de cobre, que se forma lentamente... difundindo-se nos líquidos em maior quantidade do que o hidrato ou hidrocarbonato de cobre das caldas, que tem necessidade de traços de amoníaco para se difundir.&#13;
Em resumo: embora se forme o sulfureto de cobre e este seja imediatamente solúvel na água, é todavia facilmente oxidável, produzindo enxofre e sulfato de cobre, isto é, os antídotos contra o oídio e o míldio, e parece que a teoria se confirma com os resultados na prática, que é o que mais importa. Agrónomo. Rodrigues de Maraes. &#13;
(Da Gazeta das Aldeias)&#13;
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                <text>Patologia vegetal e entomologia agrícola. As caldas cúpricas com enxofre . CURATIVO SIMULTÂNEO DO MÍLDIO E DO OÍDIO &#13;
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              <text>Lê-se no Comércio do Porto: &#13;
O míldio da vinha, força do ataque, chapinhação do cacho — Phytophtora infestans, míldio dos batatais, descrição do ataque, aplicação nova, sua importância na salvação da colheita. &#13;
 &#13;
O míldio tem acentuado cada vez mais os efeitos desastrosos da sua invasão nas vinhas, nos batatais, tomateiros, aboborais e meloais: &#13;
Por toda a parte, os sais de cobre disfarçados nas diversas fórmulas que estão em uso e apresentados sob a forma sólida e líquida procuram defender as plantas ameaçadas e garantir as colheitas. Mas nem sempre o proprietário tem ficado vencedor, e bastantes exemplos há a registrar de tratamentos insuficientes e de completas derrotas. &#13;
Estudando a razão explicativa dos primeiros e a causa determinante destas últimas, pareceu-me encontrar a explicação de tudo na forma pouco cuidadosa como se efectuam muitas vezes esses tratamentos. &#13;
A questão não está só em fazer o remédio; mas em o aplicar bem e com razão de ser. &#13;
Vou, pois, chamar a atenção dos agricultores sobre esse importante assunto. &#13;
Já falei na crónica anterior do modo de ter mão no míldio da vinha, aconselhando a chapinhação do cacho com a calda bordalesa, na falta de um pó de toda a confiança, como é, por exemplo, a sulfosteatite, para polvilhar os cachos, nos primeiros e últimos tratamentos. Vou agora fanar das outras culturas, resumindo o que convém fazer. Nas batatas é, como sabem, o Phytophtora infestans o nome do míldio que as ataca e destrói. &#13;
Apesar deste mal ser já antigo nos anais da nossa agricultura, foi só em 1885, se a memoria me não falseia, que se começou em França, na Gironda, a combater esta moléstia pela aplicação do sulfato de cobre, e data de 1889 a geral divulgação deste processo. &#13;
Mas, a julgar pelas perguntas que me têm sido feitas por cartas e verbalmente, não é ainda bastante conhecida a forma por que o mal invade e caminha nos batatais; por isso não será ocioso, para muitos, a descrição desta moléstia. Desde que ela seja bem conhecida de todos, todos poderão trata-la melhor do que hoje o fazem. &#13;
Vou, portanto, em poucas palavras, descrever o caminho que segue a invasão, para habilitar os que o ignoram a tolher o passo a este míldio, quando não possam evitar o seu aparecimento e a sua marcha desde o começo. &#13;
Os spórolos ou sementes ou Phytophtora invadem as folhas das batatas pela página superior, fixando-se ali e, se não são destruídos pela acção do cobre, estabelecem sobre a folha uma vegetação parasitária, que se multiplica e alarga, formando nódoas que enchem por fim toda a folha. Neste período a vegetação pára, a folha seca, encarquilha e fica como se fosse tocada pela acção do fogo. &#13;
Nesta situação é que convém abandonar o tratamento, por se julgar o batatal perdido. Mas é então que há ainda um remédio importante a aplicar e cujo valor só é reconhecido depois de se saber a marcha do mal. &#13;
Momentos antes das folhas secarem (tal é a rapidez com que, no geral, a invasão caminha e completa, por último, todos os períodos do seu terrível trabalho) soltam-se das folhas para o terreno que elas cobrem os spórolos do Phytophtora infestans, insinuam-se dali pelas fendas da terra até aos tubérculos, onde se fixam superficialmente e onde continuam a obra de destruição começada nas folhas. &#13;
É por isso que a minha experiência acusa como auxiliadora do mal e destruidora dos tubérculos a sacha executada posteriormente à mostra e desenvolvimento do Phytophtora infestans nas folhas. &#13;
Deste modo, manda a razão e tem-me provado a prática, que, logo que o mal se acentue nas folhas, deve, além do tratamento geral, ser regado o terreno dos batatais com a calda bordalesa, para que esta destrua os spórolos e evite que eles conservem a vitalidade necessária para prejudicarem os tubérculos. &#13;
Procedendo assim, poderemos ainda salvar a colheita sã, tendo apenas o prejuízo relativo ao atraso de maturação em que as batatas encontrarem, se a sementeira foi serôdia e o mal se adiantou cedo. Abandonando o batatal, como é costume, pelo desânimo que o seu aspecto faz nascer, teremos perda total, porque a batata, por mais bem criada que esteja, ficará perdida, se lhe chegarem os spórolos do Phyto-phtora infestans. É assim que se explica o perder muitas vezes uma sacha o batatal, que devia melhorar.&#13;
(…)&#13;
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                  <text>Semanário publicado em Évora, entre 1 de Dezembro de 1880 e 29 de Junho de 1904, surgindo, novamente, 28 de Maio de 1931 e 14 de Dezembro de 1932. Foram consultados os números publicados entre 1880 e 1904.</text>
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              <text>Constando que alguns indivíduos mal informados têm propalado o boato de que o sulfato de cobre, empregado nas vinhas contra o míldio, tem o inconveniente de inquinar com o cobre o vinho, tornando-o nocivo à saúde dos consumidores, faço pública declaração de que tal boato carece inteiramente de fundamento, achando-se perfeitamente averiguada, tanto pelos resultados práticos obtidos durante muitos anos em França, na Itália e outros países vinícolas e há já alguns anos também no nosso país, como pelas observações e análises realizadas por químicos e outros especialistas abalizados, a completa inocuidade e salubridade do vinho proveniente das vinhas tratadas pelo sulfato de cobre, sob qualquer das formas aconselhadas.&#13;
Aconselho, pois, os viticultores a quem continuem a usar do sulfato de cobre contra o míldio, devendo considerá-lo o mais como meio preventivo do que curativo e, por isso, fazer sempre a primeira aplicação antes do aparecimento da moléstia e as seguintes sucessivamente, à medida que ela em quaisquer pontos da vinha se vá tornando aparente.&#13;
Chamo a atenção dos viticultores para as instruções relativas ao tratamento das vinhas atacadas de míldio, que foram publicadas no Diário do Governo nº 111 de 18 de Maio último e em folheto especial, que tem sido distribuído gratuitamente pelos agrónomos distritais e pelas autoridades administrativas, e que será por mim entregue ou enviado também gratuitamente a quem me o requisitar verbalmente ou por escrito.&#13;
Outro sim declaro que nos termos do nº 1 do artigo 51º do decreto nº 4 de 1 Dezembro de 1892, satisfarei tanto quanto possa as consultas que me sejam dirigidas pelos lavradores, tanto no que respeita a este assunto, como sobre qualquer outro de interesse agrícola.&#13;
Évora, 12 de Julho de 1893.&#13;
&#13;
O agrónomo do distrito, &#13;
António Gomes Ramalho&#13;
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              <text>Agora que estes insetos fazem parte da ordem do dia, vamos extrair algumas informações interessantes do relatório acerca da extinção dos gafanhotos no concelho de Elvas, publicado em 1876 e firmado pelos srs. António Gomes Ramalho, agrónomo do distrito de Évora, Guilherme João Sá, intendente de pecuária em Elvas.&#13;
[…]&#13;
História do inseto&#13;
[…] Assim são estes insetos hoje bem conhecidos por toda a parte do mundo, não por particularidades notáveis que apresentem nos seus hábitos ou nas metamorfoses por que passam, mas sim pelos estragos e prejuízos que causam à agricultura nos países que invadem.&#13;
A eles se referem os anais de todos os povos, e já os escritores das mais remotas eras pintavam a negras cores as cenas de devastação e misérias ocasionadas pelo daninho inseto, cuja aparição era tida por eles como um milagre devido ao Divino Poder. &#13;
No capítulo X do Êxodo diz a Bíblia que Jeová querendo intimidar o Faraó, rebelde à sua vontade, ordenou a Moisés que fizesse cair sobre todo o Egipto uma praga de gafanhotos; então um vento soprou do Oriente transportou àquele país grande número de insetos que devastaram todos os campos até que outro vento do Ocidente os fez retirar depois de Faraó ter deixado partir o povo Israelita.&#13;
Plínio diz-nos também que em muitos países da antiga Grécia, uma lei obrigava o povo a perseguir os gafanhotos três vezes por ano, isto é, no estado de óvulo, no de recém-nascido e de inseto perfeito.&#13;
No ano de 170 antes da nossa era, os acrídios devastaram os arredores de Cápua.&#13;
Em 1811 depois de Jesus Cristo causaram prejuízos consideráveis no norte de Itália e de Gaula.&#13;
Em 1690 chegaram à Polónia e à Lituânia.&#13;
Em 1749 apareceram em tão grande quantidade que se diz ter impedido a marcha ao exército de Carlos XII da Suécia quando se retirava da Baixa Arábia.&#13;
Nesse mesmo ano, uma grande parte da Europa foi invadida por esse flagelo.&#13;
Em 1780 apareceram no império de Marrocos, onde causaram uma fome horrorosa, a ponto de a população andar errante em procura de raízes dos vegetais para seu alimento e lançar-se aos excrementos dos camelos para lhes aproveitar os grãos de cevada conservados!&#13;
Toda as superfície do solo, entre Tanger e Mogador, se cobriu de gafanhotos em 1839; um vento que então soprou os impeliu para o mar, e os seus cadáveres entrando em putrefação originaram uma peste que desolou a Barbária.&#13;
Nos anos de 1613, 1805, 1820, 1822, 1824, 1825, 1832, 1834 foram consideráveis os prejuízos ao meio dia da França.&#13;
Em 1845 uma invasão formidável atacou a Argélia, chegando depois de terem devorado todas as plantas verdes, a entrar nos silos em que os indígenas conservaram os seus grãos.&#13;
No nosso país citam-se como célebres as invasões de 1755, a de 1639, a de 1816, a de 1756 e finalmente a de 1876.&#13;
&#13;
(Continua)</text>
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              <text>Considerava-se ainda não há muito que os terrenos com mais de 40 p.c. de cal eram impróprios para a plantação e cultura das videiras americanas verdadeiramente resistentes à filoxera como a «Riparia», e tinha-se como um facto certo que a clorose atacava sempre as plantas americanas vegetando nos terrenos muito calcários, conclusões que os viticultores admitiam como indiscutíveis, procurando plantas resistentes para os terrenos calcários, sem se preocuparem se seria talvez possível modificar facilmente o estado e até a composição destes solos, de modo a torná-los capazes de aceitar todas as plantas americanas sem distinção. &#13;
As primeiras pesquisas a tal respeito foram feitas pelo Sr. A. Bernard director do laboratório de Saône e Loire (França), que propôs muito simplesmente «descalcarisar» o solo por meio dos sais de ferro acompanhados de matérias orgânicas. &#13;
Os sais de ferro representam aqui o papel de verdadeiros veículos do oxigénio, que roubam à cal, em virtude de uma decomposição, e que restituem às matérias orgânicas com as quais estão em contacto no solo. &#13;
É bem sabido a facilidade que têm certos sais de ferro de roubar o oxigénio aos meios onde se encontram, para se peroxidar; no solo, estes sais de ferro, encontrando-se em contacto com a cal, que é unia mistura de cálcio e oxigénio, roubam-lhe o oxigénio «descalcarisando» portanto o solo. &#13;
Estes factos são de importância capital para Portugal, onde abundam os terrenos calcários e onde não há muito tivemos a confirmação da preciosa influência dos sais de ferro nos terrenos calcários para a cultura das plantas americanas. O Sr. Junqueiro, importante proprietário em Freixo de Espada à Cinta, enviou-nos há tempos três amostras de uma terra para lhe indicarmos a dosagem de cal, pois desejava no terreno onde elas tinham sido colhidas efectuar uma grande plantação de videiras americanas. &#13;
Analisando uma das amostras poucos vestígios de cal lhe encontramos, em virtude do que podemos asseverar, sem receio de ferro, que a plantação das videiras americanas se podia nele fazer com toda a segurança; as outras duas amostras deram-nos aproximadamente 60 p. c. de calcário. Parecia, portanto, claro que a cultura das videiras americanas era impossível em tal terreno, conclusão a que chegou um dos nossos colegas de Lisboa, agrónomo muito distinto e conhecido, a quem o Sr. Junqueiro igualmente consultara. &#13;
Como temos o costume de dosar conjuntamente a cal e o ferro nas terras que nos são enviadas com o fim de serem aplicadas à plantação de vinha americana, e, vendo que a quantidade de ferro existente nas referidas amostras era enorme, concluímos que, mesmo com uma dosagem de 60 p. c. de calcário, a cultura das vides americanas era nelas possível. &#13;
Esta conclusão diametralmente oposta à do nosso ilustre colega obrigava-nos moralmente a procurarmos provar que tínhamos razão.&#13;
Foi o próprio Sr. Junqueiro que, no-la deu dizendo-nos que, a cultura das plantas americanas era possível no referido terreno altamente e calcário, donde tinha tirado as três amostras, por isso que nele cultivava, há alguns anos, a «Riparia» e «Solonis» que apresentam uma vegetação luxuriante.&#13;
A primeira das três amostras, que indicava somente vestígios de cal, pertencia ao solo, e as outras duas, muito calcárias, ao subsolo do mesmo terreno.&#13;
(…)&#13;
(Do Jornal de Agricultura e Horticultura Prática).&#13;
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As vides americanas nos terrenos calcários&#13;
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                  <text>Semanário publicado em Évora, entre 1 de Dezembro de 1880 e 29 de Junho de 1904, surgindo, novamente, 28 de Maio de 1931 e 14 de Dezembro de 1932. Foram consultados os números publicados entre 1880 e 1904.</text>
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              <text>A propósito do black-rot ou podridão negra, acabamos de ver uma carta datada de 6 de Agosto, de mr. Lacoste, professor de agricultura no departamento de Gers e cuja tradução vamos apresentar, pois que aos viticultores muito deve interessar tudo o que se passa presentemente em França com este novo inimigo da vinha.&#13;
Eis o que escreve Mr. Lacoste:&#13;
«Este terrível parasita (black-rot) propagou-se este ano em Armagnoc com uma tal violência, que assusta os espíritos mais fortes. Pergunta-se por toda a parte como se poderá circunscrever a marcha do parasita, pois que vinhas foram sulfatada cinco vezes, antes da grande crise de 10 de Julho, com doses enormes de 100 kilos de sulfato de cobre por hectolitro, correspondendo a 40 a 50 hectolitros de calda bordalesa por hectare, perderam todas as suas uvas.&#13;
No nosso país duas boas sulfatagens colocavam-nos completamente ao abrigo dos ataques do míldio mas com o black-rot não sucede outro tanto.&#13;
Do que tenho observado chego a tirar as seguintes conclusões:&#13;
1º - A calda bordalesa por si é insuficiente, na generalidade dos casos, quando o black-rot toma um carácter como em 1895.&#13;
2º - Os resultados que dá não são uniformes como para o míldio.&#13;
3º - Do mesmo que não se combate o oídio com o sulfato de cobre e o míldio com enxofre, deve-se supor que é necessário obter um especifico contra o black-rot».&#13;
Mr. Lacoste remata a sua carta aproximadamente como o «Comércio do Porto» concluiu uma notícia publicada há dias sobre esta mesma moléstia, o que mostra que estamos de acordo com o que hoje se pensa em França.&#13;
Diz Mr. Lacoste:&#13;
«É necessário, portanto, chamar a atenção aos espíritos investigadores sobre a necessidade de continuar com experiências rigorosas sobre esta importante questão».&#13;
E depois remata fazendo estes votos: «Que a Providência ponha os vinhedos de Portugal ao abrigo deste terrível inimigo».&#13;
O pior é que os votos do esclarecido professor de agricultura do departamento de Gers já não chegam a tempo; é ponto de fé para nós que a microscópica criptogâmica americana está de volta connosco, como muitas outras que ainda não se &#13;
acham bem estudadas em Portugal.&#13;
[…]</text>
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                  <text>Semanário publicado em Alenquer, entre 3 de Janeiro de 1886 e 20 de Novembro de 1925. Foram consultados os números publicados entre 1886 e 1914.</text>
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              <text>Damos em seguida umas «Instruções práticas para a pincelagem anti-filoxérica das videiras», publicadas no «Jornal de Horticultura Prática», nº 12, do ano findo.&#13;
Essas «Instruções» foram-nos obsequiosamente enviadas por um anónimo que se encapota modestamente sob o pseudónimo de «Jonathas», sentindo nós muito que se não apresentasse com o seu verdadeiro nome, para termos o prazer de o conhecer, ou reconhecer, e a liberdade de lhe pedirmos que continue a honrar-nos com a sua colaboração. […]&#13;
&#13;
&#13;
«Instruções práticas para a pincelagem anti-filoxérica das videiras»&#13;
&#13;
Fins e efeitos da pincelagem – a pincelagem das videiras tem por fim a destruição dos ovos de inverno, que por acaso se possam encontrar sob a sua casca.&#13;
Aplicadas às vinhas indemnes, mas expostas à invasão, por se acharem próximas dos focos filoxéricos, a pincelagem constitui o tratamento preventivo do filoxera. Tem como efeito impedir a saída dos ovos de inverno e a formação das colónias radiculas formadas de insectos provenientes desses ovos.&#13;
São consideradas indemnes as vinhas colocadas no exterior de uma zona de 15 a 20 kilómetros à roda de uma região filoxerada.&#13;
As vinhas colocadas nessa zona devem ser consideradas como suspeitas, conquanto o filoxera se não manifeste por nenhum sinal exterior. Aplicada a estas vinhas, assim como as que mostram um ou mais pontos atacados, sem estarem gravemente afetadas, a pincelagem deve produzir, pelo menos, a demora no progresso da moléstia. […]&#13;
&#13;
Preparação das matérias que se devem empregar para a pincelagem – a mistura deve ser feita como segue: óleo grosso – 20 partes; naftalina bruta – 30 ditas; cal viva – 100 ditas; água – 400 ditas.&#13;
&#13;
Para preparar a mistura, dissolve-se a naftalina, no óleo grosso; lança-se este sobre a cal humedecida de antemão com a quantidade de água necessária para produzir a combustão, e acrescenta-se o resto da água, remexendo continuadamente a mistura, até que se torne bem homogénea, tomando uma consistência de creme. A cal preferida é a cosida de pouco tempo, chamada cal gorda.&#13;
Quando, ao cabo de certo tempo, a mistura tende a tornar-se em massa e não permite que o pincel corra com facilidade, ajuntar-se-á quantidade de água necessária para que tome a consistência primitiva.&#13;
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Maneira de operar – as pinceladas aplicar-se-ão por meio de uma broxa ou um pincel grande, e dos redondos, feitos com sedas de porco. O pincel bem embebido passa-se à vontade sobre toda a superfície da cepa, e mesmo por coma dos gomos (olhos) e das secções produzidas pelos cortes.&#13;
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Época de tratamento – para mais comodidade, e como medida económica, a pincelagem deve ser aplicada depois da poda. Poder-se-á operar durante os invernos; mas a época mais conveniente quando o ovo do inverno atingiu o termo da sua incubação, isto é, desde Fevereiro para as regiões do meio-dia, e de Fevereiro em diante para as outras partes da França. […]&#13;
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Operações preliminares – se as videiras são velhas e de casca grossa, aplicar-se-á a pincelagem depois de se haver procedido à descortição superficial. Esta descortição será feita apenas uma vez; não é necessário renová-la nos anos seguintes. No caso das videiras serem novas e terem a casca fina, a descortição pode dispensar-se: poderia até ser prejudicial. […]&#13;
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Contra prova do tratamento – para as videiras que têm galhas – e as riparias, sobretudo estão neste caso. Bastará um único tratamento para se ajuizar da eficácia da pincelagem. Já está averiguando que os insetos das galhas tem todos como origem os filoxeras provenientes dos ovos de inverno, é, portanto, se todos os ovos de inverno forem destruídos pela operação as galhas não devem aparecer novamente no ano seguinte. […]&#13;
Todos os viticultores são, por consequência, convidados a fazer a experiência deste método, pouco dispendioso e inofensivo para a videira. &#13;
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Como os leitores acabam de ver, estas instruções são de grande alcance, e, pela nossa parte, julgamos em ser o primeiro a apresentá-las em Portugal.&#13;
Pode ser que no nosso país convenha fazer algumas modificações, em consequência do clima; mas, o que é certo, é que a base para o nosso combate já existe, e portanto, está dado um grande passo.</text>
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